08/09/2023

O meu vaga-lume nas noites

Vaga vaga-lume da noite

Vaga-me a vagar ausência dela

Feito folha seca na folhagem

Que se desprende no tempo

Levada pelo tempo...

Vaga no meu coração vaga tua

Que antes eram portas e janelas

Agora, vaga no pernoite da noite

E estrumes, ninguém sabe o que é,

onde andas

Pois sonâmbulo em meio à tempestade de silêncio
Escutando apenas o sentido do coração

Que na forma de vulcão, arrasta-me à solidão

Sinto-me mesmo um vaga-lume perdido em noites passadas

Que percorreu caminhos, estradas e sumiu

Ou ganhou escuridão mais tensa

Ou, quem sabe, jaz em crepúsculo

Por isso vago, vago em pensamentos absortos

Feito fio solto na malha

Feito frio sem cobertor

E calor sem abraços

Por isso, vago

 Nilson Ericeira

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