08/09/2023

Ecos e ecos...

Ecos e ecos...

Alude no meu peito a voz

A voz que quer afrouxar

Desabrochar e sair da caverna

Alude sair da caverna

Aludem as denúncias

Represas que não se podem acumular

Alude a voz dos excluídos
Do sem chão, sem pão, sem dons...

Tão vulneráveis à persuasão de hipócritas

Alude a minha voz e se faz ecos

Ecos, ecos, ecos, ecos de nós

Alude a pauta do dia

O noticiário da manhã

E começo de noite

Então, dá-me um sono tranquilo

Mas não se despeça de meus ecos

Pois a reprodução do que sinto

Ah, se eu não fosse tão rude

E taciturno, te poria em sons

E faria canções de alcance

Te poria em tintas

Do meu coração

Então te daria o céu colorido de mim

Com as cores do meu amor: espectro!

Profusão!

Não, mistura...

E se no teu coração não penetrasse

Na tua alma provavelmente tomaria carona

E seria um vaga-lume daquela porta

A andorinha do crucifixo

O beijo adolescente

O abraço do edifico

Último a sentir o vento

A expressão do verbo

E num tempo de espera,

Te esperaria

Alude-me em vozes

Pois por justiça clamo

Pois das cavernas de que avistei

Uma delas sem saídas

A da corrupção

Então, alude-me, alude-me...

 Nilson Ericeira

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