03/06/2020

Ponto de vista VI


A quem interessa a nossa desunião?

Quando as manifestações deixam de ser reivindicatórias e cedem à violência, perdem a razão e o objetivo.
É preciso saber usar da democracia para lutar por objetivos comuns à maioria da população, porém não combinam democracia e violência. Sentido em que há um temor de que o patrimônio público seja depredado e as pessoas sejam violentadas fisicamente e na sua liberdade opção de qualquer modo.
Mas é preciso saber o que se quer e entre o que se quer ter uma pauta bem definida e de objetivos plurais para a sociedade. Contexto em que as nossas diferenças não devem servir para nos dispersar, mas, e principalmente, para nos unir em objetivos democráticos. Quem sabe faz hora...
Do mesmo lado em que vejo com tristeza, profundo desrespeito às leis em atos isolados, que não correspondem com a maioria da população.
O Brasil passa por uma das maiorias crises de sua história. Muito decorrente da falta de credibilidade de nossos ‘políticos’ e do vácuo e feridas que a corrupção deixou. Somando-se ainda ao momento em que a vida das pessoas está exposta pelo Corona vírus.
Trata-se de um contexto em que a bandeira de uma suposta moralidade, há muito sabida contra a ordem, pois desprovida de consonância com a Constituição, prosperaram nas últimas eleições nos levando a crer que a inversão de valores é o que deve vogar.
O maior pecado de um gestor em confundir a bem público como se fora um bem a mais de sua propriedade. Pois a administração é regida por princípios em entre os tais da supremacia do interesse público e o da indisponibilidade do interesse público, derivantes que são de outros princípios que deveriam ser inarredáveis da intenção do gestor. Eu penso, logo existo.
Acesse o Blog do Jornalista Nilson Ericeira – Usina de Ideias.

PENSAMNETO DO DIA: Às vezes pensamos que estamos sós, mas precisamos refletir sobre até que ponto contribuímos para a nossa própria solidão, assim como devemos valorizar as nossas relações. Pois o buscamos pode estar do nosso lado. (Nilson Ericeira)

02/06/2020

O meu verso incompleto


Embora as palavras me transbordem,
deixarei meus versos incompletos
Decerto não acabarão meus versos na última estrofe
Outros seguirão denunciando injustiças
Cobrando ações, reações e sublevações...
Em cada verso desse molde,
moldes em mim
Enquanto houver injustiças,
versos meus não cessarão
Pois verso o mundo no meu verso
Versos de amor e vida
Refúgio e compensação à minha solidão
Sentido que se pretende dá um mundo imperfeito
O mundo de mistério que crio e dou vida
Vivo a transformar letras em apelos
Voz em anunciação
Eu vivo de preencher vazios meus
Mas sei que meus versos serão sempre incompletos
Anda assim, valho-me do que me abastece
Antes eu não sentisse,
pois dores não teria
Por enquanto, vou tecendo estes fios de que me completo
E de versos em verso, buscando-me no espelho das letras de que enxergo


Nilson Ericeira

Vida de infância e meus ‘bruguelos’!


Era mais uma madrugada de chuvas e ventanias.
Em que o frio parecia quebrar meus finos ossos.
Uma ventania me apavorava quando o Rio soprava.
Ao longe, ouviam-se pescadores a esgotar incessantes águas.
Mete água, puxa remo!
Num canto da casa os bruguelos já há muito ressonavam.
Meus olhos arregalados pareciam anormais!
Mas era o medo de perder de vista a minhas âncoras.
Aquele homem franzino e fraco não me deixara nada acontecer.
Àquela mulher valente que fingia dor não sentir.
Mas a parede de barro parecia cair sobre nós.
No fundo, um oitão de palhas velhas parecia o próprio terror.
Eu via visagens!
Vultos correndo, cabeças se deslocando!
A sombra na parede, uma cabeça de monstros.
Outros monstrinhos apareciam quando a luz se ia.
Mas meus pais não dormiam enquanto não nos cobrissem de amor num manto que nos é vida até hoje.
A barriga roncava do que sobrara da sobrevivência, carências.
Minha mãe, pobrezinha, nem cansava da falta de quase tudo.
Com àquela lata de açúcar nenhum milagre mais se poderia fazer!
Pois bastava o amor que sentia e sente.
Pois sempre lhe sobrara o amor que em si, agiganta.
Paciente parecia ter nascido com a sina de ser mãe.
Ele ao perceber que eu ainda não dormira, colocava-me sobre seu peito que eu sentia e ainda sinto seu o seu cheiro.
Bastava-me a identidade paterna para me sentir seguro e forte e voltar a dormir.
Igual um animal guarda sua cria e lhe cobre do único pingo que ainda restara.
E aos poucos a natureza dá anúncio de que será um novo dia!
E o frio cessa no amor desses dois.

Nilson Ericeira





Eu vi isto em algum lugar: “uma comunidade fraterna, pluralista e sem preconceitos.”

Ponto de vista V


Quando precisamos repensar nossos valores!
Quando a pandemia passar e quando a situação institucional do Brasil se estabilizar, haveremos de respirar novos ares.
Um e outro problema trazem no bojo de seus sentidos várias consequências. Muitas lições que não deverão ser assimiladas e outras as quais deveremos guardar como referência de condução e relacionamento.
Muito de nós sabemos, outros obscurecem, outros nem fazem questão de saber que na Política Partidária há um abecedário de todas as outras políticas sociais ou mesmo a negação delas.
Não basta que participemos do processo democrático, todo ele instituído na Carta Nacional, mas que façamos de forma consciente e que não nos deixemos a levar pelo falseamento das ideias.
Em relação à pandemia vigente e com vírus cruel, devemos aprender ainda mais a ser solidário e aprendermos também a exercer a nossa cidadania. Pois entre outras certezas, a de que dá para fazer muito mais em períodos ditos normais. E isto está muito claro. De uma hora para outra, descobrimos gestores com grande vocação para o fazer de suas obrigações...
Se alguém, alguns, instituições ou preferências arbitrárias ou organizadas, não servem para nos tornar melhores, elas não nos servem como referência e muito menos ainda para que se fomente um debate civilizado.  Penso, logo existo.


Painel Arari

Pessoas muito especiais!
O crédito das imagens são do saudoso poeta Paulo César Ericeira de Sousa.