24/04/2019

A desintegração do átomo humano


De boom em boom o átomo ‘humano’ se desintegra
Explode, disforma, destrói, intoxica, polui e mata
Da sua boca: vermes em comunhão
Ebulição em hálito podre
A Carta da pornofonia
Hipocrisia
Na terra é verme
No ar é vírus
Nas águas: algas venenosas
No peito e sentidos: insanos gestos
Assim vai se desintegrando
Implodindo, explodindo, diminuindo a vida humana
Deleita-se em ser mal e estéril
Alimenta-se de mentiras e ódio
É sangue ‘ideológico’
É alimento da insubordinação
É fezes no coração!
Desintegrando-se aparenta ser bom
Veste-se e traveste-se em gestos e sinais
Mas no fundo, no fundo quer que o mundo exploda
Ainda assim prega em liturgias
Recebe aplausos e seguidores
É mito!
Ou melhor, um mentiroso de estética
Mas não se deixará medir e nem pesar
Pois de dimensão tosca
Já não há moléculas
Não há fórmulas e nem sistemas
É livre em asneiras, tolices, besteiras
Mas viva a integração do ser
E negação de átomos doentes, dementes...
Pois assim, se sente, ressente-se e vai
Porém, tomara não ser a última partícula do medo
E nem viver de arremedos...


Nilson Ericeira

Flores intoxicadas


Ainda ando em alma silenciosa
Passiva que é das intempéries terrenas
É que há fluxo de sangue, desalento e dor...
Dói saber que somos irascíveis, sem lentes
Os maus borrifam seu ódio a inocentes
Há descrença em Deus crescente
Corre nós córregos sangue humano
Na veia da vida a fragilidade do ser
Frios, assassinos em comunhão
Nem mesmo escapam as flores, ícones e simbologias
Nostalgia é o que resta: desalento mórbido
Não sabemos onde vamos parar
Se nem mesmo os gritos dos justos ceifa a fome assassina
Genocidas, enlouquecidos, maléficos...
Vítimas de um mundo mal
Em meio à degradação humana, as flores insistem em viver
Embora haja ameaça de vidas
Só o Senhor regará outros canteiros de esperança e amor
Pois em tempos sombrios, ainda há tempo de se redimir
Abraçar teu irmão e colher flores com unção
Desintoxicar das toxinas do mal
E eliminar os rastros de sangue e de dor
Mas sei que tudo isso é provocado por desamor

Nilson Ericeira

Águas em corredeiras II


Límpida água a correr entre cascatas
Que estruma meu ser em procuras
Que desce em meio à folhagem e se esconde
Mais a frente reaparece
Fazendo-me confundir com sua nascente
Porém cheia de essência que meu coração herdara
Tomara não se escape de mim
E que fique feito bicho no cio
Ou o silêncio que nos responde à noite
Na angústia ou inquietudes crescentes...
Em vozes que nos detém em diálogos
Mas vai, vai correndo sarar-me no peito e na alma
E lava meu ser que se quer compreender
Porém que é frágil e esquálido
Pequeno, tão pequenino a se confundir com o invisível
De quem não sente e nem ressente,
mas reticente a dores
E que tem sido incapaz de curar tamanha dor sentida
Feito dragão de bocarra a me devorar,
morde meu peito e sangra...
Sangra-me, dilacera, divide-me e escraviza
E que busca no alento e na passagem do tempo
Respostas as quais não se atrevem
A deixar a sangria passar
Machucado eu vou por entre os caminhos
E possa ser que estanque veias minhas
Obstruo corredeiras só para te ver passar em mim
E assim, entre espinhos, ainda assim, sinto tua essência e aroma
E faço dos arranhões sofridos, fórmulas de amar
Que de encaixe, acoplarão dentro de mim só te receber
E me acender novamente em teu seio
Feito centelha de luz que no faz ver longe e distante
Mas que me serve de esperança e alento


Nilson Ericeira

PENSAMENTO DO DIA: Palavras interiores repetidas e praticadas se tornam conforto no nosso coração e na alma, assim passaremos a falar por inspiração e maturação de nossos sentimentos especiais e essenciais para a nossa vida. (Nilson Ericeira)

Minha flor por onde andas ou o signo da flor!


Minha flor por onde andas e me digas onde estás,
pois no jardim do meu coração sempre estarás
Estás no tempo e em pensamentos meus
O tempo inteiro és o meu tempero para me condimentar
Estás no tempo de Deus e em tudo que há
Estas no ar e no infinito, pois é amor mais bonito que já aconteceu
Estás também naquelas sementes que restaram
Até nas que maturaram e fizeram o amor assim
O que fizeram em mim, o que fizeram dentro de mim
Eu sei que estás nas flores dos jardins,
se é rosa ou jasmins pouco importa qual a espécie
És o amor que bate em mim, toca em mim e me deixa desse jeito
Pois todos os dias quase rarefeito eu só busco aquele ar
E logo abastecido eu me sinto satisfeito por ter o teu amor em mim
Dentro do meu coração eu tenho o amor do infinito
Pois todos os dias, em todos os instantes, nas estações
Eu sinto a tua essência a me oxigenar
Com esse alimento no meu coração eu te busco para amar
Mas me digas onde estás, onde estás, onde estás?
Se estás dentro de mim vem logo me dizer se és rosa ou se jasmins
O que mais me importa é o teu amor dentro de mim
Agora me veio a confusão, não sei se fico ou se vou te procurar
Por favor me digas qual o jardim
Pois se souber vou depressa te buscar para mim

Nilson Ericeira

E na lente do amor!


No detalhe: a doutora Wilza Teixeira abraça o seu filho Flávio no que são admirados por Gonçalo Amador.
Está é umas das cenas que eu sonhei junto pois sei da felicidades desses pais sábios e apaixonado pelos filhos. 

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