17/04/2020

Últimas poesias


Minha última poesia não será minha e nem de ninguém.
Será de todos...
Minha última poesia sumiria se o último poeta se for.
Mas eles não morrem.
O poeta não morre apenas uma vez.
Vive eternamente.
Mas pode morrer um pouquinho todos os dias.
Meu último verso sempre será o primeiro quando angústias sem-ti.
Serão versos, sentimentos...
Minha poesia não será a derradeira e nem a primeira,
será última.
Não será nem a última e nem a primeira,
mas remanescente.
Meu tempo de poesia é o mesmo tempo de amar.
O tempo da vida, o tempo da morte,
o tempo do tempo, todo o tempo.
O meu tempo de amar não tem estação,
pois estações em mim.
A esses mundos que não sei responder.
Minhas estações, elucubrações, fantasias,
sentidos, mundos contidos.
Escondidos.
Minha última poesia não se vai de prontidão,
nasce renasce, recrias.
Letras, filhotes, folhetins, rabiscos que não sei dizer.
Minha poesia é ar: estanca saudades!
Ela permite ser senhor, soberano, dono, fantasias...
De personagens, imagens...
Minha poesia é vida, mas também é morte.
É noite e é dia.
Minha última poesia será a que nascer em mim
Num tempo primeiro, derradeiro, enfim.
Minha poesia é poesia.

Nilson Ericeira

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