14/04/2020

Gotas de solidão


Sequei meu corpo no desejo e na abstração
Voei pelos ares, naveguei em mares nunca navegados
Andei falando só, comigo e com meus personagens
Andei calado, sozinho...
Falei com o mundo
E sentir a dor dos outros
Projetei-me sendo o ator principal
E me vir na plateia
Sou parte de mim e dos outros
Fui compreendido e exaltado
E me refiz após asas feridas
Fui ao encontro do meu amor
Mas em êxodo, já estava noutra estação
Chorei por tua falta e sentir solidão
Mas nunca te tirei do meu coração
Aliás, é disso que vivo, de lembranças tuas
Umas de existência real
Outras anormais, frutos dos mundos que crio
Em silencio, ou recluso do meu próprio grito
Ainda bem que as minhas lágrimas caem em gotas
Pois se não, fora já há muito, oceano
Por isso, meu eu certo e incerto te procura
E mesmo que em ecos e reverberações
Escute-me, tente pelo menos me juntar no cio do tempo
Ou na passagem do vento
Ou quem sabe no teu próprio silêncio
E quem sabe um dia verás a minha presença
Que seja em faces nuas e prontas
Mas que seja em devoção do teu amor

Nilson Ericeira

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