24/04/2020

Dos amigos e das brincadeiras de infância a gente não esquece I

Neste texto rabisco pelo menos duas intenções: uma a de reviver boas lembranças da nossa infância; a outra: a de fazer com que cada um, mesmo que mentalmente, lembre-se da sua própria história.

Tínhamos um time de futebol, brincávamos quase o dia inteiro, ainda éramos intimados a estudar, preparar as lições e ajudar nossos pais nas tarefas diárias. Lembro-me da tabuada em que estudávamos cantando, pois precisávamos tê-la na ponta da língua ‘na hora da escola’.
Ei, hoje tem escola? Lembro-me dessa abordagem!
Posto-me a dizer que a nossa vida de infância não eram só de brincadeiras, dede logo aprendemos a levar a sério as nossas vidas. Mas justiça seja feita, brincamos à beça. Jogávamos tampinha nas calçadas e salões disponíveis, logo nas primeiras chuvas, riscávamos o chão fértil de Arari com nossos chuchus, cada uma mais bem acabado possível. Feliz era quem conseguia cercar o outro sem lhe dá oportunidade de saídas! Um verdadeiro labirinto era posto a cada jogada a ‘revestrés’. E seguíamos com 'borrocas', bolões e matanças; com uma folha de bananeira ou de coqueiro fazíamos um cavalo bom e formoso; com uma latinha velha, caíamos na gargalhada; fazíamos peixinho moquém, não dirás a ninguém; construíamos estradas e carros dos mais novos modelos, nossas caçambas e caminhões com seus viajantes; passarinhávamos; tínhamos fazendas inteiras de ossos de boi e ainda eram capitalizados pelas notas que representavam as carteiras de cigarros vazias, em que cada uma tinha o seu valor.
Muito de nós já fomos ricos fazendeiros, capitalistas e socialistas ao mesmo tempo, quando projetávamos cenários do que poderiam ser as nossas vidas de adultos. Mas o tempo passou, e o que guardamos em nós de mais precioso são as lembranças no que são recheadas e alimentadas pela nossa amizade cuja base se construiu na infância. Aqui nos remetemos a uma alegria que vem da alma e derrama em nossos corações para sempre. Assim é que éramos muito felizes...
E apareceu a margarida, olê, olê olá!
Lembro-me ainda que em qualquer espaço improvisávamos um campinho de futebol. Além disso fazíamos os nossos próprios campinhos por onde hoje passam algumas ruas de Arari. De alguma forma fomos uns desbravadores! Desbravamos Arari nas nossas inúmeras brincadeiras de infância que imaginamos agora que cada leitor tem a sua preferência com seus inesquecíveis amigos. Pois, neste tom, digo-lhes que muitos de nós, não queremos nada materialmente uns dos outros – mesmo sabendo que tem gente que se afasta porque acha que o amigo vai ser inoportuno. Porém o que nos alimenta no ser no coração e na alma é a vida feliz da nossa infância e que ainda nos projeta a tantos sonhos.
O gol de placa das nossas vidas é saber que tantas marcas deixamos e que delas não nos livramos e nem deixamos de sentir saudade, prova de que o que é bom para nós acaba nos fazendo pessoas muito melhores. Reconhecer o que fizemos e o que fomos nos servirá sempre de complemento ou parte integrante de nossa formação, caráter e vida

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