16/02/2020

O monólogo da noite VI


Caem-me versos igual o sangue das minhas veias
Decaem-me como água de fonte
Que mesmo em finos cios...
Ciosas engrossam a linha
E o tempo...
O tempo me devora em igual a velocidade da espera
À noite a passar em passadas largas
O dia na velocidade da minha ilusão
E, então, fico feito bicho no cio
Esperando a hora de te atacar
Pois sem o teu amor não vivo
E todos os dias a te procurar
Mesmo que em mente frívola
Devaneios, ilações, frustrações...
Obrigar-me a mentir para mim mesmo
Numa ilusão de que o teu amor possuo
Mesmo que em miragem, passagem, folhagem, ventania, calmaria...
Pois mesmo quando me recolho a mim mesmo,
de ti não desapego
É amor, embora nem saibas de mim
Só quando vez ou outra, letras minhas te cercam
Ainda bem que mesmo feito lança, espada ou garfo
De vez em quando, amor em ti desperto

Nilson Ericeira

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