03/02/2020

Monólogo da noite V


Perto de mim e tão longe
Ofegante e tão vibrante
Procurando vida em si mesmo
E da vida de que tanto dependente
Assim se afasta do gosto do doce
E se apresenta para o amargor
Mas por dilacerado corpo ainda vivo
E em alma pena e vaga
Saio de mim a procura de mim mesmo
Sou produtor, ator e cena de minha própria sina
Mas se numa dessas tomadas eu mesmo me ofuscar
Não se assuste, pois até pode não ser esta a última cena
Pois de quimera em quimera eu vivo
E morto ou vivo eu sinto, eu falo, eu te peço
Pois por ti sinto um amor único
Amor possuído e intermitente
Sem hora para ser e se despedir

Nilson Ericeira

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