31/07/2019

Desnude poético


Hoje eu amanheci completamente emudecido.
Um vazio tomou conta de mim,
pois eu nem sei se estou aqui,
se vivo ou se vegeto.
Minhas vozes calaram, silenciaram o meu coração.
Mas antes resolvi derramar o amor que eu possuo por ti.
Desnudei meu ser pra me dá pra ti.
Assim eu divaguei em sonhos e fantasias e
quase não suportei a angústia que a tua ausência traz.
E assim eu vou me vestindo em letras de sentimentos meus.
E me vestir da luz que esse amor me dá,
alentos que eu me permito ter.
Aos poucos fui me vestindo em pensamento.
E, então, percebi ais poucos que as palavras já fluíam
que meu ser se revestia.
Me recompus no amor que tenho no meu peito.
É um canteiro de flores e essências de mim que te ofereço todos os dias.
E fui vendo que o amor foi se diluindo em mim.
A luz e o brilho do amor em mim pareciam um sol aceso.
Chama de quem ama e que se completa noutro ser que ama.
E nem precisei mais me desnudar para que o amor resplandecesse.
E assim me vir completamente teu.

Nilson Ericeira



Imagem-poema!

Arari-MA

Braços que abraçam, corações que acolhem


Hoje fez três dias que não dispus de tempo recluso para a escrita interior. Não gosto de escrever por escrever, embora até afaça. Quase sempre escreve com os sentimentos, com o coração e principalmente com os meus sentidos. Assim encontro os mundos de que preciso para não asfixiar e colocar à disposição, os mundos de que os leitores precisam para melhorarem em algum aspecto de suas vidas. Socializar a leitura e a escrita levando uma mensagem acolhedora.
Logo que acordei e ainda atormentado com umas notícias tristes, da qual prefiro dissimulá-las a ter que enfrentá-las, assistir a um vídeo em que uma pessoa pede um abraço aos que passam numa triste missão, pois todos lhes rejeitavam, ou seja, dispensavam os seus abraços. Indiferentes seguiam...
Longe de mim querer dizer que temos, a partir de agora, sair abraçando fisicamente as pessoas por onde passamos, mas temos a necessidade de abraçar a todos. O abraço de que me refiro muito mais é o do abraçar com o coração. Quem abraça, acolhe e é essa a minha intenção neste texto. Estabelecer uma reflexão para que, a partir de então, passemos mais a receber o outro na condição de nosso irmão. Pois acolher no coração faz bem para o ser e para a nossa alma.
Mais adiante o pedinte de abraços encontrou os braços que o abraçaram e corações que o acolheram. Sabe de quem? Dos moradores de rua que se compadeceram de uma pessoa que precisava abraçar as pessoas e com os abraços deixar os sentidos, a essência do amor e do querer bem. Não são poucos os que desejam abraçar e não são poucos os que se fecham em si próprios rejeitando abraços.
Tudo passa nesta vida, todo o poder termina e às vezes nem começa> As coisas materiais por mais belas e pomposas que pareçam, passam. Mas o amor fica eternamente e o abraço deixa marcas no coração.
O abraçar é um dos sentidos da vida em fraternidade. Pensa-se que quando a igreja forma-se no seu dia: uma união de pessoas que se abraçam com o objetivo maior do maior abraço: o amor de Deus. Reflete-se de que, todos os dias, abrimos nossos corações para abraçar os amigos e os de que precisamos conquistar e por aí devemos seguir nesta vida, acolhendo as pessoas sem distinções. Enfim, entendo que o abraçar é dos sentidos mais nobres do ser humano, pois em abraçando o outro, reflete-se no olhar de Deus sobre nós. Então recebam o meu abraço!


PENSAMENTO DO DIA: Regar sentimentos bons nutre o coração nos preparando para amar. (Nilson Ericeira)

30/07/2019

PENSAR X PENSAR: Conformar-se com injustiça e violência é o mesmo que patrociná-las. Pois a omissão e a conformação andam juntas, mas há os que, mesmo sabendo que produzem o mal, ainda assim, persistem com as mesmas práticas. (Nilson Ericeira)

Amor indiferente


Sou eu quem te procura
que te busca,
que amanhece e anoitece na insônia da vida
Sou eu que parto o meu coração,
quem me divido para ti,
que me faço em pedaços,
que me ajeito para te receber,
que me conformo
Sou eu que te espero
e te vejo em que tudo o que vejo,
sou eu que, em lampejos,
te vejo chegar
Mas sou pequeno e insignificante que não me vês
que passo e nem notas
Nem percebes o que há em mim
Sou eu um alguém que te espera e te ama  
Pois te peço todos os dias
E que sonha
Assim me vou morrendo e vivendo todos os dias
Espero, então, ressuscitar amor em mim
Para um dia te oferecer no todo e em partes
Da forma que sou, do jeito que estou

Nilson Ericeira

O sol


Sol de mim.
Sol da minha vida.
Reguei amor, colhi você.
Sol que não só me aquece, traz-me vida,
desejos, amor...
Sol de esperança, renovação.
Tens um brilho único.
Amor infinito.
Sol da minha vida, clarão em mim.
Clarão de amor.
Mas sigo cadente, carente,
mesmo nesse brio de amar.
Que vale galáxias, constelações, universo,
Sem esse brilho teu.
Sol que não é a magnitude de estrelas.
Mas a estrela de meu coração.
Sol da minha vida.
Amor!

Nilson Ericeira

PENSAMENTO DO DIA: Devemos permitir que o amor se manifeste em nós, pois não devemos negar a nós mesmos a nossa essência. (Nilson Ericeira)

29/07/2019

Eternos tempos na Seduc

Uma escrita feita com muito zelo, dedicação, humanização e amor. Grato a Deus por ter me dado uma verdadeira oficina, onde aprendi a trabalhar e, principalmente, a amar as pessoas.

A todos que fizeram e fazem essa instituição tão nobre e essencial para o desenvolvimento do nosso Estado, o meu eterno agradecimento.
De quem fui servente e serei eterno servidor. Guardei muitas imagens na minha cognição e algumas em arquivos materiais e digitais. Eis algumas fotografias que tirei dentro da Oficina de Comunicação. ou melhor, Assessoria de Comunicação, onde fui repórter, técnico, assessor e coordenador.

Blog do Jornalista Nilson Ericeira - Usina de Ideia
 

ARARI LÁ DO ALTO – VALEU ZÉ MARIA DE ARARI!


É com muito orgulho que o grupo Diário da Poesia divulga o resultado do II Concurso de Poesia, categorias: Estudantil e Adulta, e do I Concurso de Crônica, categoria: Única.
Foram quase 1000 inscritos, juntando todas as categorias. Pessoas de diferentes cantos do Brasil e do Mundo se inscreveram, e nós, do Diário da Poesia, estamos divulgando os nomes dos autores selecionados e/ou premiados por ordem alfabética.
Cada categoria premiará 5 poemas/crônicas. Os poemas e as crônicas vencedoras só serão conhecidos no dia do lançamento do livro “Almas em prosa e verso”, que contará como todos os autores selecionados e seus respectivos textos, assim como os poetas e escritores do grupo Diário da Poesia.
Lembrando que a premiação (classificação) foi feita por poema/crônica, e que cada autor poderia inscrever até dois poemas/crônicas, sendo assim pode ser que um mesmo autor tenha sido premiado ou classificado mais de uma vez.
Os selecionados/vencedores receberão, por e-mail, uma notificação particular para confirmação de dados e autorias, lançamento do livro e premiação até o dia 3 de agosto.
O evento de outubro, quando faremos o lançamento do livro e premiação dos vencedores, será transmitido ao vivo pelo Facebook (via Página do Diário da Poesia). Autores premiados e não presentes, caso queiram receber a premiação a domicílio, deverão custear o envio da mesma pelos correios. O livro custará R$ 20,00 (não sendo obrigatório ao autor adquirir, porém se o mesmo quiser adquirir via correios, deverá pagar uma taxa de R$ 5,00 por envio). Somente os VENCEDORES (1º lugares) de cada categoria ganharão um exemplar do livro no ato da premiação.
Foram classificados 30 poemas em cada categoria e 20 crônicas, conforme edital lançado em dezembro de 2018.
Parabéns a todos os participantes!
II Concurso de Poesia – Categoria: Adulta
Ordem Alfabética
Aguinaldo dos Santos
Alessandro Diniz
Alex Oliveira
Cristina Maria Perdigão Mendes
Deivide Almeida Ávila
Drucila Milian de Souza
Gislaine Oliveira dos Santos 
Guilherme Fischer
Guilherme Ricardo Tissot
Jaqueline Leal
João Pedro Oliveira
José Maria Sousa Costa
José Marreiros de Souza Neto
Lindalva Francisca dos Santos
Lis Souto Maior Lima Reis
Marcio Avelino do Nascimento
Marcondes do Nascimento Silva
Maria Graziela Barduco Ribeiro Rezek
MARIA JOSÉ SILVA CORREIA TULHA
Maroel da Silva Bispo
Massilon Silva 
Paulo Cezar Tórtora
PAULO MAURÍCIO GOMES DA SILVA
Reginaldo de Sousa Venâncio
Renato Rivello Amaral
Titto Dassil
Fonte: diariodapoesia.com.br/2019/07/diario-da-poesia-

PENSAR X PENSAR: O Brasil vive um período de dificuldades e a maior delas é provocada por abusos, falta de ética e desrespeito. Não obstante, autoridades, principalmente autoridades, deveriam ser referenciais e, não deveriam, nem mesmo com palavras, estimular violências. (Nilson Ericeira)

Corpo e alma


Quando minha alma pedir ao meu corpo a tua presença
Quando coração sem juízo me apresentar o possível
E quando meu ser se deslocar no espaço tão fora de mim
Olhando para porta do mundo te vejo no jardim
Ah tudo puder ser da forma que eu tanto pretendo
Prendo teu ser dentro de mim e te coloco no meu corpo e alma
E em devaneios vou me personificando nesse amor de que tiro o meu alimento
É que todos os dias minha alma te pede e meu corpo de chama
És a centelha e a chama que não quero apagar dentro de mim
A água do rio e do mar...
És o meu mundo e oceano...
O céu muito além do infinito
O meu amor mais bonito
Por isso meu ser, meu corpo, coração e a alma sempre te chamam
E se não fosse assim, tudo seria vazio dentro de mim

Nilson Ericeira

O amor que se combina, harmoniza, eterniza...

Meu ídolo, pois de quem me deu a gramática da vida, a sintaxe do amor, a semântica da poesia, a fonética e fonologia da alma. 

Por quem meu coração bate tão forte e todos os dias e tem me ensinado cada vez mais a amar. 
De quem sou cópia e tenho o gen, de quem guardo e recebo ensinamentos todos os dias. 
Alguém que me fala mesmo sem poder falar, alguém que me ver mesmo sem poder enxergar, alguém que me escuta e me procura com gestos, mãos e tempos... É este alguém que me ama podendo amar, pois no que há neste meu amigo é, sem a menor dúvida, a gramática da vida, de quem sempre nos deu tudo que precisávamos para sermos dignos e honrados. 
E seguimos aqui, na minha casa, para a alegria do meu coração e ser completo. 
É que o amor de pai e o amor de filho sempre se completam, basta, para isso, que prestemos mais atenção em quem verdadeiramente nos ama.

Acesse o o Blog do Jornalista Nilson Ericeira - Usina de Ideias.

Meu pecado capital

Que passa e que estar
Que me faz novamente sonhar
Que revigora o meu coração
Que me faz viajar...
Dá asas e me projeta em sonhos
Que me acende a chama de amar
Que está onde estou
É imagem real
E do meu pecado capital
A musa dos meus dias restantes
Do meu mundo sem cortes
É decote, é formosura, uma loucura!
Pois tens o selo do amor e da doçura
O favo, o mel e colmeias...
Igual a um zângão em voo nupcial
E rainha abastecida
Assim, no meu pecado capital
Premeditando sigo no mundo das abstrações
Em abstrações de amar
Fazendo cenas e tomadas da vida
Abastecendo-me de sonhos
Ao tempo em que te projeto em mim

Nilson Ericeira

Coisas do meu coração


Uma ânsia e um desejo
Faz tempo que eu não te vejo
Vem me dizer que me ama
Acalma meio peito e faz minha alma
E mantém acesa esta chama
Que te pede para amar
Um amor concebido
Um sentimento incontido
Do jeito que estou e com o que me sobrou
Pode até haver desperdícios com as sementes do amor
Uma vida de esperas
Um mundo de incertezas
Parece que tem as correntezas que levam para o mar
Venha logo dizer que me ama
Manter acesa a minha chama que te pede para amar

Nilson Ericeira

PENSAMENTO DO DIA: Quando abdicamos de quem amamos ou, por algum motivo, renunciamos os nossos sentimentos mais sublimes, mortificamos a nossa alegria de viver e de ser feliz, centelha que dá luz aos nossos corações. (Nilson Ericeira)

28/07/2019

Primos-irmãos!


Ara ali, ara no coração de Arari

Ara no meu coração
Ara terra com devoção
Ara com unidade e unção
Arari do meu coração
Ara maré mansa
Ara em preamar
Ara pra espantar muriçocas 
A maré já deu no quintal de ‘mundoca’
Ara amor em marés de pororoca
Ara os campos e tesos
Ara a vida em começo
Ara o fim, a despedida
Ara até a dor da partida
Ara saudade nua e crua
Ara amor com vestes e nuas
Ara amor na minha cidade de Arari
Ara o santo e a devoção
Ara o pão, o pescador e o carvoeiro
Ara Bom Jesus o nosso santo padroeiro
A ara amor e alegria
Ara a fruta 'docinha'
Ara alegria no festival da melancia
Ara amizades, ara esta saudade
Lá o amor não tem idade
Ara o nosso amor para a eternidade
Ara a moçoila na praça
Ara o rapazinho querendo...
Ara a conversa na porta, a prosa
Ara a nossa santa da Graça 
Ara nossos artistas, culturais, festivais
Ara o coração de nossos políticos
Ara o coração de nosso povo e gentes de Arari
Ara o amor, pois eu também sou daqui
Ara nosso rio, tempera nossos peixes
Ara os igarapés, desintoxica dos gananciosos
Ara os passarinhos e lhes deem asas para voar
Ara meu coração que foi feito para amar
Ara meus filhos, meus irmãos, meus pais, meus tios e avós
Proteja Deus este canteiro feito por vós
Vou continuar arando e sei que você também vai
Pois vamos regar nosso jeito de amar
Ara ali!
Ara meu coração de Arari

Nilson Ericeira

PENSAMENTO DO DIA: Todos os dias temos a oportunidade de ser melhores, por vezes deixamos ou permitimos que a nossa vida se transforme porque complicamos ou dificultamos as nossas relações. Afastar-se de si mesmo para refletir sobre o nosso próprio mundo, as pessoas e cenários faz bem para a vida. Como se pretendêssemos regar a esperança ou a chama de amor que há em nós! (Nilson Ericeira

Usina de ideias "na lente do poeta"



Minha senha


Desculpe-me se sou tão calado
E omito este grito, esta dor
Se desvio dos caminhos
Se o meu riso é antipático
E por que peco por amar
Mas prefiro ser uma besta a ser bestial
Senhora vida, não me deixe esvair...
Desintegrar sem me recompor para amar
Não me deixe despreparar, destemperar
Mas me faça eclodir e gritar esse anúncio que quer me sufocar
Se eu pudesse ser a balança e as medidas
Ou mesmo a justiça
É que tudo parece complexo e errático
Às vezes nos parecemos todos uns lunáticos
Temos opiniões sobre tudo
Mas no fundo, nada sabemos
Mas eu prefiro ser furta-cor a ser conveniente
É que penso que quem se desnuda à toa não tem vestes moral
Eu que preciso gritar antes eu possa passar mal
O desabafo que expiramos nem ecoa
É preciso ser o meio e a mensagem
E muito mais...
Pois esse punhal que atravessa meu peito antes de sangrar,
Dilacera
Por isso preciso ser um mudo cheio de mim e dos outros
É, minha senha, perdoe-me por não tê-la assim tão intensamente
E ainda molestar meus irmãos
Eu sei que das flores de que me apoderei,
Muitas se esvaíram no tempo sem que as essências ficassem
Noutras, estações sem fim
Mas ainda que meu peito me obrigue a me intoxicar com meu próprio veneno
Venerarei amor de quem jurei ser cúmplice
E, assim, viverei sem me reprimir dos meus desatinos

Nilson Ericeira

Segredos...


Meu coração me faz segredo.
Me fez em segredos...
Meu amor me faz silêncio.
O tempo é um sinal de espera.
A minha sombra já me é igual.
Não me é parelha a parte minha que me abraça.
Nem a outra de que busco me contenta.
E nem na sombra de mim eu sou do homem que fui antes.
Pois meu ser me é tão distante.
E cada dia mais distante daqueles sinais de vida.
É que vivo num mundo de segredos que se esvaem de mim.
E lentamente dão contorno a coisas escritas que o tempo leva.
Agora em ondas cibernéticas não passam de poucos que entendem.
Você indiferente nem se apraza com a brisa de textos meus.
E assim, me derramarei de quando em vez.
Pois este amor eu sei quem fez!

Nilson Ericeira

27/07/2019

PENSAR X PENSAR: Um grave erro ou equívoco dos ‘sábios’ modernos: confundem as instituições com as pessoas, confundem o público com o privado, ou ainda, para esta última, com a expressão similar no feminino. (Nilson Ericeira)

PENSAR X PENSAR: Um grave erro ou equívoco dos ‘sábios’ modernos: confundem as instituições com as pessoas, confundem o público com o privado, ou ainda, para esta última, com a expressão similar no feminino. (Nilson Ericeira)

Meu jeito de ser II

Meu jeito de te procurar
O jeito de fingir não te olhar
Não querer, não aceitar
Meu jeito de ser
Parece não ser, não querer, dissimular
É assim, tem hora que me escondo
Noutras, camuflo, desnudo, fico mudo
É meu jeito de ser
O de aparentar, apascentar, distrair e me sair
É esquisito, introvertido, iludido
Mas eu sou do amor derivante
Eu sou o que sou, mas finjo não ser
Tenho um jeito de te procurar nos espaços de mim
De te projetar, abraçar e amar
Assim, completo, extasiado, repleto de ti
Meu jeito de ser é sentir
Sentir amor
Sentir a essência da flor
Sentir o sabor de ti
É meu ser com o jeito de ser
Alegre ou triste
Vivo para cada vez mais ser um ser
Ser que se ama, que ama e que multiplica
Mas sei que todos os dias eu sou de um jeito
É que a minha camuflagem me cobre e reveste
É multicolorida, com tons e sons
Por isso, o meu jeito de ser tem o teu ser
Todos os dias, não importa o tempo
Pois o meu jeito de ser é depósito
É tudo de ti que cabe em mim

Nilson Ericeira

São Luís ao mesmo tão linda e tão maltratada!


Hoje andei por algumas ruas e avenidas do centro de São Luís. Quando parava por obrigação da lei, vigiava a paisagem bela da cidade, sem, contudo me esquecer do descaso e do abandono. Um pouco de cuidado naquela parte especial da cidade, bastaria para torná-la mais bela e humanizada.
Como amar a quem maltratamos! De que forma queremos bem se a abandonamos!
Há muito percebo que nada ou quase nada se faz aqui nesta banda de ocupação, bem como na banda em que é, sem dúvida, o nosso melhor cartão postal.
Mesmo passando por àquelas bandas com um ar nostálgico de quem andou rua por rua a pé entregando correspondências da Seduc, no início dos anos 80, em que anotava numa caderneta o nome da rua, do beco ou da avenida que subia e descia, para poder chegar ao endereço certo, não perdi em nada o meu olhar crítico e muito menos a concepção da minha poesia marginal. É que me veio à memória, um dia em que caindo chuva fina e intermitente, parei numa lanchonete para esperar amenizar tal tempero do tempo, quando insurgiu a poesia marginal I, até hoje muito atual. “Marginal é o governo que não governa, a prostituta sociedade que não é social, a vida morrendo, a mentira preciosa dos falsos...”
Eu fico a imaginar de quanta desordem tem se misturado com desordem por falta de ação do Poder Público. Quanta injustiça não tem prosperado por falta de oportunidade ou mesmo pela falta de acesso a ela? E que faltam aos governantes para que não façam alguma coisa por esta cidade somente às vésperas das eleições. Embora seja sabido e muito mais de que por mim mesmo, que a cidade de São Luís precisa mudar a forma de sua administração, ou com o mesmo gestor, se é que ainda há tempo, ou com outro que se habilite.
E, ainda, sei que não sou eu que vou fazer que quem governe assuma realmente a gestão, mas antes deveria pensar que assumiu mandato legítimo e popular.  

O amor é mais que tudo


Além do sol e extensão no universo
Além do mar e muito além do ar.
Além das galáxias, constelações....
À vida inteira é a tua vida que procuro.
Vem me tirar dessa solidão.
Tu és a paz e esse amor do meu coração.
Além do tempo.
Muito além da velocidade do vento.
Além de mim existe um amor assim.
Vem me tirar do desalento.
Nem mesmo o sol, o ar, a água e a estrelas.
Não se comparam com um amor assim.
Vem me trazer alegria e viver esse amor em mim.
Além do céu, além do infinito.
Pois sei que teu amor é mais bonito.
Vem me fazer nascer, amanhecer em mim.
Pois eu nunca tinha sentido um amor tão lindo assim.

Nilson Ericeira


Dois amigos, dois irmãos!


PENSAMENTO DO DIA: Alienação não é só falta de conhecimento, é ignorância. Ao assumir tal postura, passamos a ignorar os outros e o que pensam. (Nilson Ericeira)

25/07/2019

Fina pele


Em fina pele sinto a tua presença
Epiderme de mim a te buscar
Incessante insônia de todos os dias
Corpo quer células vivas
De cuja pele nem me despido
Nem mudar de pele eu sei
Assim sofro em pele, epiderme, carne e ossos
Quisera não sentir amor,
assim seria mais um estéril
Amor não tivera e nem na pele frio sentiria
Muito menos calor buscaria
Nem sofreria, pois feridas não teria
Mas em epiderme vivo, sarando feridas, falseando cicatrizes
Buscando um amor que me dê tom,
faça-me bom a cada dia
E quem sabe, possa assim sentir alegria
Na fina pele de mim sinto amor
E mesmo em sangria, nostalgia e saudade
A ti busco nas horas do dia, nos instante do tempo
Sempre a espera da mesma cor da pele te deixar em mim
Seja no suor que sai, no odor que inala
Quem sabe, até no beijo pretendido
Pois em ti todo o meu amor seria
Bastaria...

 Nilson Ericeira

Insano eco que me incomoda


Mas insano é que me engana
Quem se engana a si próprio
E insano sou eu que não acredito em insanos
Sei que meias palavras tenho,
mas que em nada si aproximam de tolices e asneiras
Vejo que o mundo aplaude o vazio
Vejo gente boa aplaudindo o ócio
Vejo e sinto pena
Que pena é a de sentir pena de alguém
Seja humano ou desumano
Há muita verborragia e mentira
Palavras de efeito ganham eco
São profundas!
Radicais: ao limite da ignorância de uns sábios
Reproduzem sons, pornofonias
Mas é hora de aplaudir
Pois a besta sou eu, que não nenhum vejo sentido em ser bruto
Nunca se vendeu tão barato a moralidade
Nunca vi antes tatos devaneios
Melhor seria silenciar até que se acalmem os ânimos
Pois de repente a mídia se fez profética, científica,
Um arcabouço de besteirol
Bem feito para mim que sempre quis ser um patriota
Hoje, sou lorota, faço parte de uma parte pária da pátria
Dos que do meu modo não comungam com falácias
Pois sou tão menor que me atenho a analisar falas mórbidas
Vejo que em pouco tempo já até desaprendi o que me convinha
Ando meio sem graça, embora já na minha cara seja um riso crítico
Mas de máscaras não vivo
Nem me dou a ser cordão de alheias opiniões desconexas e vazias
Acho que me perdi tentando aprender em livros
E varei noites, sonhei acordado, agora vejo que nem disso precisava
Bastasse eu esperar um tempo, estaria conectado com sábios
Os sábios do mundo!
De várias vozes e razões, umas até me enganam
Preciso me acalmar, estou com náuseas
É que tem uma autoridade falando e já sentir o odor de longe
Odor de enxofre e fobias...
Precisamos nos curar desse mal estar, o de não se amar a si mesmos
Mesmo que as tiras e chavões nos alimentem,
nem nos sustentam

Nilson Ericeira

Meu céu de tons


Pintei meu céu de tons.
E com a tinta que sobrou eu pintei o meu amor.
Eu pintei meu mundo bem colorido, de riso e felicidade.
Com o restinho que sobrou me renovei em meia idade.
Eu pintei minha estrelas e dei o tom que eu bem quis.
E com a tinta que sobrou,retoquei o meu amor.
Eu me pus nos teus caminhos, desenhei até um ninho...
A casinha e janelas, a cerca e árvores, a cancelinha.
Eu caprichei e fiz tudo para te agradar.
Eu fiz traços de compasso e logo vi quem estava na janela!
Era você me esperando para me abraçar.
Assim eu pintei meu céu de tons.
O meu mundo colorido,
o sol no amanhecer e não me esqueci também do anoitecer.
Com pouquinho que ainda tinham eu pintei o nosso amor. 
O Sol já indo ao ocaso, nostalgia ainda tinha.
E por acaso derramei toda a tinta do meu coração.
Com o restinho e advinha, eu pintei o nosso amor!

Nilson Ericeira

PENSAMENTO DO DIA: Enquanto nos dispomos a sermos bons e justos, há os que se incomodam e tiram proveitos propalando defeitos e indignidades de que eles próprios sabem que não termos. (Nilson Ericeira)

Ser de alma


Meu corpo pede a visibilidade da alma
Pede na pele os sentimentos
Pede a flor
O amor e a vida
Aliás, as vidas
Pede o encanto delas
Da vida, do riso
Da saudade
Pede, suplica, quer mais
Este ser insaciável de palavras
Que por vezes nascem mortas
Pois sem sentidos, sem ênfases
Sem sintaxe
Mas este ser tem alma
Aliás, almas...
Uma que se supõe
A outra,poética
Essa vagante, extravagante
É o eu pedinte, talvez penada
Mas quem me dera ser gente
Me enxergar humano
Mais preciso no dom de amar
Sem imprevistos previsíveis
E, em sede, saciar amor
Pois sei o que meu corpo pede
Formiga, fareja, cioso de amor
Igual cão que ladra no meio da noite
Que se escuta, se ver, se enxerga, se quer ouvidos
Porém, com ou sem alma, é gente

Nilson Ericeira

24/07/2019

Amor atemporal


Parece que o tempo não passou
Que em mim nada mudou
Enganou-se quem pensou que esqueci do teu amor
Eu sei que meu peito delinquiu
Pois o meu coração até feriu
Pedindo o tempo todo aquele amor que me deixou
Mas não sucumbiu querer em mim
Nem deixei de procurar razões para amar
É verdade que o tempo não passou
Deixou as marcas desse amor
E cada vez mais intenso o nosso amor
É que em mim não há razões de despedidas
Não me preparei para te perder
E não desejo te esquecer
Pois não se deve negar o amor
Quem nega os pedidos do coração,
mata-se a todo instante
Esconde o ar-dor do amante
Nem que se pense que o amor chegou ao fim
Pode resplandecer iguais as flores nos jardins
Que brotam sem avisar e deixam essência ao nascer
Durante o dia ou mesmo ao entardecer
Da mesma forma é o amor de quem esperar para amar
E acredita do começo ao fim que um dia tudo vai mudar
Por isso que vou te segurar em mim
Só para te ver ficar para semente e poder replantar
Igual semente em maturação ou código do amor em maturação

Nilson Ericeira

Cercania de palavras


Palavras pequenas, amenas e sorrateiras.
Doces, amargas, palavras fáceis.
Palavras difíceis, impossíveis, palavras a mais!
Sóbrias, palavras alopradas.
Palavras vestidas, nuas, sensuais!
Libertas, que são asas, vôos e normais.
Palavras cárceres, feridas, anormais...
Há palavras que animam e incentivam...
Às que abraçam, que apertam, suficientes.
Palavras amigas, acolhedoras, sentidas, naturais.
Ao vento, e as que não acreditamos mais.
Palavras hipócritas, de embrulho, afixadas nos terminais.
Ilusórias, destruidoras, radicais.
Palavras polidas, políticas, ancestrais...
Sujas, genocidas, etnocidas e mortais.
Palavras que cercam, que desfaçam e que dizem mais.
Inúteis, vazias e por isso não servem mais.
Mas às que dizem e que nos fazem bem.
Palavras de amor, seja onde for, vamos atrás.
Há palavras mudas, palavras que não se desnudam e que não saem.
Palavras que existem, e as que estão para nascer.
Palavras que fazem doer.
Por isso, feridas que mostram cicatrizes anormais.
Ainda há palavras que cercam, que adoçam as nossas vidas:
a palavra de Deus.
Mas isto se bem ditas, pois se usadas, falácias.
Palavras escuras, vermelhas, em desalento, sem mente, podridão.
Ideológicas, religiosas, preconcebidas, pré-conceituais, a devastação.
Há palavras que comportam muito mais.
Palavras de amor, transpiração!
Palavras que ensinam, que revolucionam, que proclamam:
Palavras de vida: de educação!
Há palavras que são o que são e as que são muito mais do que dizem.
A palavra é o verbo, o verbo é a carne que o homem se expressa.
Sem palavras não há harmonia, o amor e nem a nostalgia.
Sem palavras não há poesias.
Pois até o silencia é palavra, interjeição, exclamação.
A palavra do peito é só emoção, palavras do coração.
A palavra se bem sentida e percebida:
é fonte de amor e de vida.

Nilson Ericeira

Saudade marota


Saudade, condimento ou unção...
É uma saudade menina.
Começou bem novinha agora mora dentro de mim.
Eu sei que não tem idade e vai além da eternidade.
Mas é bastante travessa que atravessa o meu peito e quer me tomar.
Leva-me a um mundo subjetivo no meu coração.
Eu penso que pode ser apenas um alimento,
condimento ou unção!
Mas é uma saudade que vem de dentro de mim.
Outra vez me vem o desejo de compor tudo com as mãos.
É uma saudade que me faz escutar a voz do meu coração.
É uns defeitos, porém eu sou desse jeito, tudo isso só pode ser revelação.
Saudade mora comigo, é meu abrigo e quando sinto vira aflição.
Vem então consolar o meu peito e me encher direito de amor e unção.
Há uma saudade em mim de seres que não sei dizer.
Que bom que não sei o que é.
Pode ser coisa de poeta, só fantasia de uma alegria que não sei explicar.
Pois se me descobrisse e ela não me encobrisse não me encheria assim.
Por uns segundos eu saio de mim eu volto a procurar.
É saudade de alguém que me faz tão feliz.
Aquilo que sinto no meu peito e me aperta, mas que nunca desejo que se vá.
Eu replico que fique aqui no meu ser que quero me iludir.
Sei que não tenho como recompô-la.
É um sentimento do meu peito, uns sins e uns nãos, objeto do meu coração.
Agora eu sei que esse mundo que crio é uma ilusão, mas as batidas  posso outra vez escutar.
Em segundos eternos, eu peço à saudade que fique e aquela que volte e a que deve se formar.
Pois eu estou nesta vida apenas para amar.

Nilson Ericeira

Gente de casa na 'lente do poeta'



PENSAMENTO DO DIA: Pensar em fazer coisas boas, agir da forma que os justos agem e ser sincero o mais possível, não significa que devamos machucar os amigos em nome de nossas verdades. Pois os amigos, nós os devemos compreensão e respeito, antes de querermos lhes disciplinar. (Nilson Ericeira)

23/07/2019

Visão ou miragem


Longe dos olhos,
Tão perto do meu coração
Longe de mim,
mas sinto a essência dela em mim
Não sei se flor ou se jasmim
mas sei que foi feita para mim
Tão longe não sabe o que passo,
e nem do que faço todos os dias para te aproximar
Aliás, nem se importa comigo eu sei
Parece uma visão de quem ama só
Mas nem mesmo a distância me faz descrer
Eu vivo a esperar por esse dia
Enquanto não vens,
encurto o tempo e as distâncias do jeito que me convém
Mas eu confesso, não queira sentir um amor assim
Porém eu sei que não depende de mim
És essência de todos os dias no nosso jardim
Ah esse amor é miragem, é tempo e passagem
É o amor que vai e o que fica
Por isso não existe distância entre nós

Nilson Ericeira



A paixão que nos cega e a razão que nos faz enxergar além do óbvio


Todos nos apaixonamos em algum momento de nossas vidas. Isso é bom, pois se trata de um sentimento que permanece em nós durante algum tempo até que descubramos algo que toque os nossos corações e consciências que são capazes de nos fazer encontrarmos outras possibilidades. Mas não é bom que nos deixemos tomar completamente por algo que causa inebriamento a nossa mente nos tornando capazes de atitudes absurdas. Trata-se de uma embriaguez emocional sem que nos permitamos reflexões. Quando não nos permitimos análise de nossos próprios atos, as consequências podem ser desastrosas para nós e para outros.
Pois a paixão que nos transforma pode ser por qualquer coisa, idéias, pessoas ou até por imbecilidades e fantasias. Não podemos esquecer que, por vezes, passamos por momentos de cegueira ou obscurantismos. Quando nos apaixonamos deixamos o nosso estado normal e vivemos da forma que os nefelibatas vivem.
Não quero com isso dizer que, divergir, opor-se e mostrar-se contrário a alguém, alguma postura ou coisas prontas, seja errado, pois errôneo é seguir ao caos quando a maioria enxerga completamente diferente. Poderemos estar perto do abismo sem quem queiramos enxergar. Não fazemos questão o mínimo de ver o óbvio, aquilo que estar escancarado para todos, nós omitimos.
Na política, da mesma maneira que na vida, temos nossas preferências, votamos em que acreditamos ou achamos diferente, mas isso não significa que não reflitamos sobre erros e acertos e, principalmente quando a olho nu, constamos que há muito mais erros que acertos. Pois negar o que o que a maioria enxerga, percebe e sente não é só um ato alheio ou de paixão, mas de ignorância velada.
Nossos tempos nos mostram que um erro não conserta o outro e que enquanto não melhorarmos nossas relações e seguirmos a ‘lideranças’ que não nos coloquem uns contra os outros, como se o melhor fosse atingir o limite da intolerância da construção de uma sociedade de desafetos.