30/06/2018

Berço de outrora


Embala-me uma saudade incompreensiva e penetrante
Embala-me na vida
Embala-me como que num berço de outrora
Embala-me nas minhas intropecções
Dá voz ao meu coração
Silencie meu ser para escutar minha voz interior
Faz-me soluço, e o riso de que me apodera
Embala-me feito criança dependente
E me faz levar no tempo, a deriva do vento
Embala-me e toca suavemente com o frescor das manhãs
Embala-me no meu desespero de solidão
Me dá minha tonalidade, a musicalidade do meu coração
E as cores de meu ser completo!
Derrama-se em mim todas as tardinhas como se não quisera ir...
Noutros dias de volta tão acesa
Mas me embala no teu leito feito peixe no cio
Que se arrasta em correntezas para se realizar
Embala-me no teu berço esplêndido
E me devolve certezas
Pois preciso ir a teu encontro
Me faz ser silêncio, ser de voz e de gritos

Nilson Ericeira

E por falar em saudade, onde anda você!


Descrever a vida de pessoas especiais nos remete a abstrações do coração e da alma, mas antes nos dão a dimensão do ser de quem se ama, nesse sentido, e com a perspectiva de que narraremos um pouco da vida, da história, da militância e do apego à saúde, de um cidadão dos mais notáveis de nosso Arari, não somente pelo seu conhecimento e pela sua profissão tão digna, mas principalmente pelo seu coração generoso, bondoso e humano.
Estamos nos referindo a um ser sensível, amigo, excêntrico e apaixonado pela saúde que, mesmo tendo trabalhado em outros lugares do Maranhão, preservava todo o amor e encanto pela sua terra e sua gente. Gente que serviu com amor e dedicação sempre levando a seu profissionalismo com extrema alegria.

E é com radiante alegria que estamos nos referindo a João Gregório de Oliveira Pires (João Pires), um dos ararienses mais notáveis e que agora por força do reconhecimento público da Prefeitura Municipal de Arari, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, terá o seu nome posto em sua homenagem na Unidade Básica de Saúde que ora é inaugurada em nosso Município, que será denominada Unidade Básica de Saúde João Gregório de Oliveira Pires!
Agora a nova unidade básica de saúde institui-se e com ela o reconhecimento da homenagem a um excepcional servidor da saúde da nossa terra. Isto certamente merece aplausos, da mesma forma que ressoa o agradecimento do povo de Arari por esta homenagem.
O filho de dona Zenésia do Espírito Santos de Oliveira Pires e do senhor Álvaro da Silva Pires nasceu no dia 12 de março de 1935, na cidade de Arari, na Rua Almirante Tamandaré e faleceu aos 80 anos de idade,no dia 27 de fevereiro de 2017.
João Pires logo cedo se lançou no mundo e foi estudar no Instituto Nossa Senhora da Graça e cursou auxiliar de enfermagem na Ação Social Arquidiocesana em São Luís Maranhão, cuja conclusão deu-se em dezembro de 1969.
Logo após conseguiu o seu primeiro emprego quando foi auxiliar de enfermagem com o seu tio Jorge Oliveira, logo depois prestou serviços nos municípios de Vitória do Mearim (Japão e Lago Açu).Anos depois começou a trabalhar como auxiliar de dentista na cidade de São Mateus.
João Pires retornou para Arari em 1989 e trabalhou na Unidade Mista Jorge Oliveira, na função auxiliar de enfermagem, na administração do então Prefeito Horácio da Graça e, ainda, prestou serviços no Posto de Saúde de Bamburral por vários anos e no Posto de Saúde Luís Magno Carneiro por dois anos.
O enfermeiro João Pires atendia em sua residência onde fazia atendimento de dentista (prático) e enfermagem. Nesse trabalho, ele não tinha hora para atender o público, pois prestava assistência ao povo de Arari a qualquer hora do dia e da noite. Amava o que fazia, às vezes nem cobrava pelo atendimento.João Pires era assim: vocacionado para servir ao próximo!
A dedicação de João Pires pela sua família transbordava o seu coração de amor e alegria, pois embora não tendo filhos, foi um grande pai para os seus sobrinhos, os quais o chamavam de “Papai João”. E dessa forma, cuidava da educação, saúde e disciplina de todos. Foi um excelente filho e um  irmão  sempre  presente em todos os momentos da sua família.
E agora João Pires! Aceite esta homenagem que é de todos aqueles que reconhecem o seu legado de amor, o seu trabalho humano por meio da saúde e o colocam na condição de um imortal de nosso Arari.

Ouça-me, fale, veja, perceba, sinta-me...


Tentando esconder sentimentos.
Que bobagem, sentimentos não há.
Tentando esfriar, mas humano ainda sou.
Tentando me esvaziar de mim mesmo, não consigo.
Sou fonte!
Tentando não aceitar descaminhos, devaneios, solidão.
Intriga danada, briga comigo, inquietude, alucinações...
Impossível, pois sou de sangue, de amor, relações.
Tentando escamotear a dor, ilusão que atinge meus sentidos.
Tentando curar feridas, mas é sangria.
Tentando omitir, mentir não sei.
Tentando encobrir, é visível.
Tentando fingir, sou fingidor.
Tentando, tentando, tentando...
Numa delas eu cair no chão.
Mas vou segurar essa dor!
Desgarrei de mim egoísmos, vaidades, estéticas.
Já misturei o meu sal, temperei solidez.
Sou forte, homem que é homem não chora.
Mas chora num cantinho de si pra dor abstrair.
Por esse amor, só por esse amor.
E agora, não sei.
Tudo é distante, é sangria corrente, essa dor incessante.
Desfaçatez.
Preferível fingir, aceitar.
Antes hipocrisias não tinha.
Hoje, espero teus passos, tua bênção meu pai.
E assim vou fingi que me entende, vou senti que me aceita.
Agora, eu sei já tarde, bem tarde, pra requerer proteção.
Me faz tudo outra vez, tantas vezes...
És o meu porto, meu seguro, minha vida.
Segura as minhas mãos.
Dê-me essa mão, proteção.
Mas me perdoe primeiro, pois eu sei não fiz nada por ti.
Vou fingi, vou sorrir, iludir, camuflar, te amar...
E assim caminhei, descaminhei, desabafei, enfeei...
Nessa desfaçatez.


Nilson Ericeira

Método mexeriqueiro e palavras ao vento


Gente sem conteúdo pode comportar aparente eloquência e firmar a sua fala em alcaguetes, gírias, caras e bocas, trejeitos e outros disfarces. E levar a vida iludindo pessoas que, não menos pretensiosas, também já sabem de tudo nesta vida. É incrível, precisavam de um tempo, mas agora nem precisam mais, pois autossuficientes e excelentes!
E que podemos esperar de pessoas que se firmam em ombros alheios para sobreporem a conquistas pessoais de poucos amilhados? Pois, na minha opinião, não há movimento mais rasteiro ou submerso de que o de gotejar as migalhas, as sobras...
Mas há em todo o lugar pessoas que usam de mexericos e de leva-e-traz para, em assim agindo, tirarem proveitos.  Geralmente são pessoas dóceis de fala fácil ou omitem suas opiniões às claras, mas lamentavelmente a palavra da maldade é guardada para servir de trunfo. Esse é um ‘inteligente’, diferenciado. É mesmo!
Não falta nesta ‘ceiva’, quem engane e quem goste de se deixar enganar. Nada mais certo de que os seus favores sempre atendidos, mesmo que sejam em órgãos públicos! Favores em instâncias públicas são gentilezas pagas pela sociedade que aspira à prestação coletiva.
A minha insipiência sempre me leva a escrever sobre coisas óbvias, tão óbvias que de vez enquanto somos vitimados. É que não temos fórmulas, vacinas com antídotos bem fortes, nem mesmo a relativa experiência em convivência de ambientes, leva-nos a não ser, em algum momento, vítimas dos mexeriqueiros.

Alimento do coração


Te dou meu ser até na despedida e quando pensares em voltar
Estarei aqui da mesma forma como antes para te amar
E para te oferecer o meu amor com o que há de mais bonito
Te dou também meu ser e os mundos de que disponho só para ti
O meu céu de amores e as estrelas
Te ofereço amor por todo instante, amor amante
E se ficares no meu céu a divagar, te dou todo o meu brilho
E se te perderes nos meus mundos, te mostrarei outros caminhos
Te mostrarei a veias do meu coração
E te farei navegar no mar do meu amor e oceano
E se lá no alto com as estrelas te faltar luz
Te darei meu brilho, te darei meu amor por toda a vida
Te dou todas as minhas formas e costelas
As constelações e até galáxias!
E se por ocaso ficares sozinha
Eu te darei meu ninho
Mas quando vieres que eu não estiver mais aqui
Eu te prometo ressurgir no céu ou no infinito
Das galáxias ou de qualquer cantinho

Nilson Ericeira
Só para te mostrar o que há no meu amor de mais bonito
Pois és a única estrela a brilhar no meu firmamento
És o amor que me faz vida e me serve de alimento

PENSAMENTO DO DIA: A consideração e o respeito que podemos que ter pelas pessoas é de palavras, mas muito mais de atos e ações. Essa é a única demonstração necessária para fortalecer laços. (Nilson Ericeira)

29/06/2018

JUMENTICE E/OU SOLIDARIEDADE HUMANA


É comum aqui na Cidade Operária ver-se animais perambulando pelas avenidas. Já dissera antes, que a impressão que se tem é da ausência de Poder Público em muitas situações. 
Hoje na Avenida 2, do Jardim América, um jumento que aparentava pouca idade, rolava-se no meio da avenida, é que tudo leva crer que tenha sido vítima de atropelamento ou mesmo da pura irracionalidade de nós outros animais!
O sol já lhe causava maior incômodo, quando este editor com outros vizinhos resolvemos tomar outra atitude que não mais a da insistência com telefonemas em vão! 
Assim fizemos: não é que o bichinho saíra, após alguns minutos de sombra e um pouco de água fresca, de mansinho e já dei com ele se arriscando novamente na avenida 1. 
Que Deus tenha piedade dos homens!

Presente de mãe!


Ser de alma


Meu corpo pede a visibilidade da alma
Pede na pele os sentimentos
Pede a flor
O amor e a vida
Aliás, as vidas
Pede o encanto delas
Da vida, do riso
Da saudade
Pede, suplica, quer mais
Este ser insaciável de palavras
Que por vezes nascem mortas
Pois sem sentidos, sem ênfases
Sem sintaxe
Mas este ser tem alma
Aliás, almas...
Uma que se supõe
A outra poética
Essa vagante, extravagante
É eu pedinte, talvez penada
Mas quem me dera ser gente
Me enxergar humano
Mais preciso no bote de amar
Sem imprevistos previsíveis
E, em sede, saciar amor
Pois sei o que meu corpo pede
Formiga, fareja, cioso de amor
Igual cão que ladra no meio da noite
Que se escuta, se ver, se enxerga, se quer ouvidos
Porém, com ou sem alma, é gente


Nilson Ericeira

Parceria, profissionalismo, amizade e companheirismo!


Olha aí doutor Hildegardy!

Que esta assinatura seja abençoada mais uma vez por Deus, pois sempre esteve a serviço do bem, da justiça, da liberdade e da igualdade.

Coração transbordante


E você tão linda não vê
O que posso dizer dentro mim para agradar
O que trago comigo no peito
E o que transborda do meu coração
E você tão especial nem nota e nem dá conta de mim
Que o amor que esse amor que trago comigo tem posse
Que é propriedade sem cercanias
E que é amor e alegria do meu coração
É você que me faz ser diferente
E que faz acreditar que nas sementes de amar
É água, é tempo é ar...
É o amor que me respirar!
Ah se você que é tão linda me olhasse
Talvez saberia que meu amor é especial
E que tudo em mim pede esse ser
Mas você tão linda não vê
Eu me cubro, me visto e até me desnudo de amor por você
Todos os dias eu vejo passando por mim
E deixando essências de flores e jasmins
Até me faço de rogado, só pra ver se agrado com que há no meu ser
Eu sei finalmente o que quero dizer a você
Esse grito, essa vontade incontida de querer te amar

Nilson Ericeira

Transmutação


Eu sou um ser mais do que sou
Aprecio ser um ser diferente
Pois meu ser é transgressão
Ultrapassa as paredes do mundo
Coisa do coração
Silencie em expressão
Dilacera em segundos
e se repõe com a mesma fórmula
Vai buscar quem está
E quem já se foi...
Por vezes fico a vagar
É essa ânsia de amar
Sou a denúncia, a lide e a sentença
Sou crença sem convicção
Navego em mares nunca navegados
Feito de abstração
Viajo, fico, saio, pernoito, amanheço
Um vagante sem rumos
Na direção do que mais contesto
Mas sei eu não presto
Eis que há um vendaval em mim de inquietações
Por isso que digo e repito que não sou,
não estou, transporto-me
Sou um sujeito que não me contente com que posso ver
Chego além de meus olhos
Traços meus mapas, teço a minha vida com amor no coração
E esse grito que me engasga, insisto
Em ser além do que sou

Nilson Ericeira