11/08/2017

Pai

Agora o tempo me fez esvair do jeito que o vento esparsa as nuvens.
Com ímpeto e inquietudes que me incomodam.
Mas é que me sinto um ser tão frágil e inseguro.
Pois há muito procuro a tua voz, a tua força...
Mas vejo que tudo se esvai no silêncio.
É que sei que agora já vive num mundo distante.
A nossa dor tem se transformado em súplica.
O nosso olhar em esperança.
É que somos sempre o limite entre a vida e a morte.
Porém deveremos cativar um amor único!
Com a luz do sol, o frescor da chuva, o arama do tempo, o cheiro da terra.
Devemos nos umedecer desse amor para nos lubricar para a vida.
E seguir dando passos nos caminhos de que nos traçastes.
Buscar sempre os melhores exemplos.
Colhendo a flor do tempo.
Beber da água, comer do fruto e nunca esquecer da fonte.
Àquela mesma flor que um dia se abriu em sorriso de felicidade.
Numa manhã destes o gen a essas crias.
É, do jeito da nossa idade, viremos com a tua imagem nuns dias sem fim...
Lembro-me quando desse amor me abastecia.
No cheirinho da rede fria, no sereno no quintal, nas tuas passadas...
Há meu cantinho de amor preferido!
Ah amor abastecido!
Eu sei que não tem sido fácil os dias da minha sorte.
Mas dia a dia eu confesso esse amor em mim feito cria no ninho.
Cada vez mais emplumado para seguir e quem sabe até voar a ti.
E um dia poder descansar novamente junto a teu corpo como se fosse um forte.
E viver sempre no teu amor!


Nilson Ericeira

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