22/07/2017

Grito



Da garganta seca da criança sem sorte, do idoso e da morte...
Da exclusão desmedida e da política hostil.
Desse desamor e do nada, do ócio.
Desse vento que toca ardente das sobras do lixo.
É quase isso.
É um país de ratos que contaminam.
De políticos que contam as minas.
Das migalhas que sobram vivem os pobres.
Pobres de nós que ainda acreditamos em asneiras e tolices.
Mas esse meu grito é tão forte que não cabe só em mim.
É o grito do pobre e de pouco de nós.
É da minha consciência quase falante.
De uma alma que vagueia e cansa.
É o grito dos excluídos de sorte.
Lá fora eles ainda dão as últimas cartas da prostituição.
É uma Nação de desiguais.
Pois eu sou bestial.
É por isso que meu grito reverbera a espera de uma nova Nação.
E minhas cordas vocais não suportam.
Meus neurônios morrem de tanta opressão.
É demais esse grito e essa voz.
Acho que um pouco de nós.
Uma aflição dentro do meu coração.

Nilson Ericeira

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