28/07/2017

Enxofre no porão



O que há lá fora.
Permitam-me passar...
Sou desse lugar e quero regressar.
Lá fora o que há?
Eu sei que os seus pormenores não rimam com os meus.
Pois você: fariseu e eu: plebeu.
Quem me dera não saber chorar.
E resignar...
Quem me dera toda a razão,
a lógica e tudo o mais possível.
Mas é incrível não já me encucam as nações.
Prefiro à omissão.
A velejar em embarcações sem norte.
Prefiro rimar a remar sem direção.
Não sei por que não me dizem o que há na caverna;
Nessa escuridão!
Corrupção em papel de presentes.
Esquemas sistematizados, genocidas.
Há inteiramente uma pesticida.
Há podridão no Conselho e eu já não me arrisco aconselhar.
O rei está nu, despido e imoral.
Exala enxofre do seu porão.
O que eu fiz de tão mal!
Da honestidade que me visto não há em prateleiras.
Para parar de dizer besteiras, vou deixar essa meditação.
Dizendo que sei o que é o ardor da dor e do desamor.
Mas preciso me recompor para por em composição.
Pois este silêncio é da minha resignação.
E os sinais são do meu coração.
Com ruídos sei que não se estabelece comunicação.

Nilson Ericeira

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