30/06/2017

O voo alto do urubu e a queda do corvo



Da série fábula de Nilson Ericeira:

Ambos se alimentam de restos putrefáticos e orgânicos, ou seja, o que está em estado de decomposição. Com uma diferença, o corvo come animais vivos ou mortos e até lixo. Já os ururbus por sua vez têm uma substância no estômago que excreta a toxina dos alimentos podres. Os corvos têm hábitos semelhantes aos humanos, fazem amizade com outros animais, tornam-se solidários ou os enganam usando de disfarces semelhantes ao que humanos fazem.
Os urubus fazem verdadeiras acrobacias em grandes círculos alinhando no céu durante horas planando e usando a corrente de ar quente para gastar menos energia ou ancorando-se em lugares estratégicos para depurar presas mortas, inertes e mal cheirosas. Quanto mais fedorenta, melhor é o sabor.  Seus voos rasantes ao encontro da alimentação diária é como se fossem flechas certeiras. Em sol a pino mais parecem um extraterrestre que desce de um óvni. Com bicos e garras afiadas é em poucos minutos enquanto devoram animais de boa compostura. Secam suas presas e rodeiam os seus habitats como se tivessem agourando a sua morte.  De olfato bastante apurado e visão ampla, sentem a presença de carniça a quilômetros.
Mesmo com bicos, penas e garras atolados na sujeira se sentem livre para voar, pois nenhum tribunal lhes condenará já que exercem uma função vital no equilíbrio e limpeza do ecossistema. Abominados por muitos por se valerem da miséria dos outros, são indiferentes aos instintos alheios. Se servir do que é podre é o melhor prato. Aqui uma ligeira semelhança com alguns humanos!

Pois há ‘humanos’ que se igualam a essa práticas, pois não sossega enquanto não veem inimigos à beira da morte. Sem moral e sem serventia para a sociedade, aparentam utilidades. Diferentes dos urubus, que se alimentam de restos mortais, aqueles corvos o hienas se alimentam do sofrimento alheio.
O seus voos mais altos são da falta de pudor e limites para as maldades. Passam boa parte do dia dormindo ou esquivando-se da verdade, com olhos grandes, cabes baixo e olheiras, são terríveis no ataque! A calada da noite é o melhor dia para vitimarem quem lhes antipatiza.
Construir este texto com o pesar de ter que estabelecer analogias entre  gente a animais irracionais, corvo a gente e gente a urubu. Pois acredito que nem todos usam de práticas sórdidas na luta pela sobrevivência sem precisar usar de mentiras e disfarces, ou mesmo esconder em si mesmo da forma que o corvo faz.

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