21/06/2017

Arari além da eternidade


Se eu morrer e ficar para sempre.
Quero um lugar lá no céu só pra mim.
Quero um Rio assim, quero ouvir os japis, bentivis.
Quero ouvi coaxar, tilintar, grunhir.
Quero ficar sozinho na beira do rio.
E pitiuar...
E com o medo de não sei o quê.
Brincar com bolas de esmeril, deslizar.
Da barreira: dá pulos e cambalhotas.
Jogar água quando a canoa passar.
Quero gritar eu te amo Arari.
E igual som emitir debaixo de Itapoã.
Mas se eu morresse.
E ficasse para sempre lá no céu.
Cantaria teu hino todos os dias.
E elogia do começo ao fim um Zé que não é qualquer.
É do Zé de todos nós.
Zé somos nós.
Na refeição, curimatá de entrada.
Petiscos de capadinhos.
De sobremesa, melancia...
Ainda que minha alma não chegue ao céu.
Meu ser em ti, meu sentir inteiro e feliz.
E o meu céu primeiro é Arari.
E na paquera a moça mais doce feito suco de melancia.
Que finge não me querer e nem quer me olhar.
Que meu coração pororoca logo de amor.
Se eu me for pra outro lugar.
Quero ser ancião em ti.
Velhinho na porta pra contar histórias tuas.
Vê-me em outros meninos em que me enxergo.
Senti-me no céu, no céu de Arari!
Só pra ficar bem defronte de ti.
E não deixar secar teus campos, matar nossos peixes.
Como um cão que vigia o dono,
ou uma cadela que protege a cria.
E lá de cima, jogar minha tarrafa.
Com minha linha puxar a esperança de te amar.
De côfo, landruá e choque pra pescar amor dentro de ti.
Arari que me pegou e pesquei só pra te amar. 

Compadre Robrielle

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