20/05/2017

Arari em reentrâncias e pororocas


Arari não me deixe.
Não, não me deixe.
Não se vá de mim.
Pois não saio de tuas entranhas, reentrâncias ...
Igarapés, maresias, ventos, estações e pororocas.
Não me cale poesias.
Não me silencie.
Faça-me crer, re-crer, recriar, sentir.
Mas faça-me o chão de teu amor.
Faça-me do jeito certo.
Na medida certa de um amor nem sempre compreendido.
Num poema incompleto.
Faça-me na minha poesia o riso, o choro, o canto,
O amor!
Permita-me ver nascer outros irmãos.
Faça-me da voz e ecos a teu encontro.
Faça-me juntar-me a toda gente sarada no amor.
Estou em ti.
Estás em mim.
Não se vá e não me deixe ir.
Quero correr menino, banhar no rio, provar o doce dessa água,
Vender derresol, picolés, manuês...
Escutar a bandinha, a voz, muitas vozes:
A Voz de Arari.
Não, não se vá.
Aquece-me nesse sol.
Quero apertar os amigos nuns abraços...
Quero paquerar, cantar, sentir e gritar:
eu te amor Arari!
Não, se vá.
Mas se for, vá cada vez mais para dentro de mim.

Compadre Robrielle

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