10/03/2017

Pneumotórax



Alivia-me saber que ainda estou vivo.
Os dias e noites de frio e febre não me tiraram o ânimo.
É torce e ausência de água no corpo.
Parece dá lugar a um pneumotórax.
Umas moscas que se anunciam...
Um vírus se mudou de mala e cuia e me fez hospedeiro. 
O bastante pra me fazer mais doente.
Agora sigo uma regra de que abomino.
Pois já me deveras devorar letras até às tantas.
Parece que se esqueceram de mim.
Ou mesmo fazem-se indiferentes.
Pois até final da rua escutam o meu ‘cofe-cofe’.
E teimoso tento escrevinhar mesmo que quebre ossos.
Entupi-me de remédio até o pescoço é o remédio.
E minha caixa torácica me faz ofegante.
De que me queixar se sempre vivo a me queixar pelos cantos.
E de tanto esnobar, vivo o vírus sei lá de onde.
Mas enquanto ele não se recolhe.
Eu me enclausuro em mim dizendo asneira ou filtrando besteiras.
Curto-me numa sinestesia que não gostaria de sentir.


Compadre Robrielle

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