29/03/2017

O batelão de Arari



Pelos ventos do norte avistei embarcações.
Pelos ventos do Sul lembrei da Cruzeiro do Sul.
Vera Cruz, Vitória Régia, Princesa e Santa Cruz.
Pelas bandas do oeste ei vi Silvestre, batelões, barcos, embarcações. Pelo leito, o batelão de Torquato, de Mário Prazeres. Pelos Prazeres e vi a geleira chegar, seu Lindoso remar. Eu contemplei o azul do céu na beira do Rio. Eu esperava a geleira chegar de Lago Açu. No porto de Dico Prazer ancorar. Dali pra frente, maresias, mistérios tubarões, golfão, São Luís... Meninos eu vi embarcações de Arari. Com Fé em Deus eu vi a draga ancorar. Pelo igarapé do Nema escutei o motor roncar. Com Fé em Deus eu vi seu Inácio chegar. Santa Luzia reluziu defronte do Igarapé de Arari. Eu vi balsas da Itapoã. Eu senti maresias no meu coração. Seu Inácio com a sua lancha de tábua coberta de palha. Com isso eu digo vi seu Abel no meio da sua canôa. Eu escutei estórias de pescadores... Eu notei que um vulto passou. Eu vi lanchas cheias de amêndoas babaçu. Eu vi seu Dico Batalha comprar. Eu vi seu Mário dizer: “traz a carga toda”. Eu escutei o menino dizer: Adeus tia Lulu! E ela responder: "bate na cabina Osório". Eu registrei em memória o Mearim pororocar de embarcações. Hoje já não têm mais batelões. Agora as canoinhas são motorizadas. Com fé em Deus não chega a Santa Cruz. Tudo isso mudou.

Compadre Robrielle

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