18/03/2017

A cultura e seus múltiplos dizeres



Nilson de Jesus Ericeira Sousa*
Sem cultura não haveria pensamento, não se teria o antes da civilização e o agora, não haveria o homem. Penso que o homem é um fazedor de cultura.
Um dia desses levei algum tempo me questionando sobre o que é cultura? Acabei chegando à seguinte conclusão: que seria bem melhor não tentar defini-la, pois não há um conceito fechado. Longe de mim, pretender contrariar os que sabem definir de forma perfeita e acabada, pois acho que para tudo temos que ter uma síntese que mais se aproxime do venha a ser alguma coisa. Isto até por uma necessidade didática. Principalmente quando tratamos de bem imaterial cujos efeitos sentimos, produzimos, aceitamos, renovamos.
Também no objeto de minhas parcas, arrastadas reflexões, pus-me a me perguntar por que matam a cultura se a mesma não morre? Maltrata-se, é verdade, mas matá-la é exterminar um povo completamente. Não me lembro que na história da humanidade, o mundo tenha sido dizimado completamente de seres humanos, produtores de saberes no seu fazer cotidiano. Assim como na comunicação, quando levamos a vida inteira confundindo comunicação com meios de comunicação, da mesma forma agem em relação à criação, recriação cultural. Querem nos confundir intencionalmente. Pois por meio da cultura também há muitos mecanismos de dominação. Portanto, na minha modéstia e insipiente opinião, precipitam-se quem define cultura como sendo manifestação de ocasião. Dito isto, digo também que as manifestações culturais são muito importantes, mas não que possa ser definidas como todo o caldo renovador de cultura que permeia a sociedade. Cultura antes de ser definida, ela é. Ela está, permanece, pulsa nos sentidos do homem e se renova. Quando esta teimar em desaparecer, mesmo que na oralidade de alguns, teima-se dessa maneira em dizimar o homem. Então seríamos todos aculturados?
A cultura de qualquer povo nunca deverá e não pode ser classificada como menor, maior, mais importante e o contrário disto. Trata-se de uma instituição que se pode confirmar é diferente em todo lugar. Como o povo se veste, se andava nu, ou quase nu por moda, por estética ou por hábito, é cultural.
Antes que alguém possa me repreender, digo-lhe, não sou especialista. Mas muito antes ainda que eu teime em não corroborar com quem encontra assassinos para a cultura, eu afirmo encontro é vítima: o povo que também se alimenta do que é inerente de sua comunidade e que de alguma forma é “visgar” por alguns “auês”. Vamos imaginar o que acontece em uma pequena comunidade em algumas horas do dia! Nosso viver nos impulsiona a mudanças.
Pela minha ignorância tenho sido perdoado até por quem se contorce ao ler nossos textos, mas não me perdoaria se não registrasse estas minhas impressões. Penso que a cultura pulsa em nós, mexe com nossos sentidos, corpo e alma. Vivemos em um labirinto cultural. Quantas coisas esquisitas para nós são essenciais para outros.
O que transcende o homem e a humanidade não se tem aferições. Lembro-me de uma leitura que fiz denominada de “A Feijoada Brasileira”, livro que não me lembro do autor, mas demonstra a penetração das camadas sociais em determinadas manifestações culturais e a isso em certo caminho do livro, dissera-me que é invasão da classe média. Dali o excluído de antes “passou a ser aceito” por determinados grupos.
Hoje consultando minha consciência me fiz de juiz de mim mesmo e vou teimar em não confundir cultura no seu aspecto social e plural (de múltiplos sentidos e manifestações) com seu aspecto organizacional. A cultura para sua existência não depende de prefeito, vereador, promotor, juiz, papa, pastor ou quem quer que se nomeie, pois a cultura existe, está em nós.
*Poeta, jornalista, professor, psicopedagogo, bacharel em Direito e ex-secretário de educação de Arari

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