31/03/2017

Poesias ou apenas a junção de letras e vocábulos



Que não me falte à alegria de todos os dias, que não me falte ar, pois viver sem poesia é morrer tão completamente. Que não me falte sentimentos, pois não desejo ser um ser estéril, vazio, fúnebre. Que não me falte amor e poesia, assim não poderei senti as batidas de meu coração. Já vi que viver sem poesia não é viver é morrer tão completamente todos os dias. Imagine você ver chegar um novo dia sem se dá conta que dá poesia, aliás, é poesia. .
Se por acaso eu fosse um objeto, certamente seria um objeto sem graça. Mas eu não sou objeto, eu sou um ser em processo de humanização durante a minha vida inteira. Caso eu não beba na fonte da poesia, nem sangue eu teria, muito menos taquicardia. Eu prefiro à poesia ao monólogo, pois sem a poesia eu não tenho parceiros, não tenho canteiros e muito menos sementes. Por essa razão, que eu prefiro fazer poesia a dizer heresias.
Tem gente que olha o tempo passar como se do tempo não fosse, não voltasse. Essa gente precisa nascer antes que o anoitecer seja tarde. É preciso usar os sentidos, as inteligências, fazer os olhares se aproximarem de nossa projeção.
Quando o nosso coração sente, de alguma forma deve desabafar. Os poetas agem assim: falam com o coração. Se assim não o fizessem, penso que morreriam antes da própria morte. Outros são os que preferem expressarem por outras formas de ver o mundo e se expressarem e interagirem com ele. Estes são os ‘artistas’! Alimentar-se de clichê pode virar fórmula.
Um dia desses conversei com um pintor de quadros. Disse-me que todos os dias procurava pintar o seu único quadro, mas da mesma maneira apareciam outros cujos traços não poderiam ficar apenas derivante de sua memória.
Defino-me antes de qualquer coisa, na condição de poeta, não que esteja negando a minha condição de matéria. Não sou um artista apurado, com pensamentos mirabolantes e ideias geniais, mas sou diferente em um mundo que se torna pequeno quando necessito por o lápis para registros. Jamais negaria a minha diferença, pois se assim o fizesse, negaria de forma covarde uns sentidos de que encontro asas para voar, chaves para desprender, amor para aprender... Uns condimentos!
O amor na poesia é um ingrediente, mas não deriva de fabricação tosca e muito menos de simples encaixe de palavras, mas do amor-sentido, do amor de outrora, do amor sonhado, do amor realizado... A expressão na letra do poeta ganha vida, ganha enredo, serve para acalmar as pessoas e levar mensagens plurais com diferentes sentidos em diferentes interpretações.
A síntese da minha obra nunca será a morte, nem mesmo a morte das palavras, pois sei que a poesia vive e ressurge de tempo em tempo e, em determinado momento, com o verdadeiro sentido de que se poderia ter valorizado muito tempo antes.
As poesias e mal sintáticas letras unidas são mais que umas poucas palavras, mas alimento para meu ser, pois não consigo ficar sem rabiscar papeis, sem por as minhas impressões na tela ou na lauda morta, mas excitante que espera a qualquer momento ser desvirginada. E, com isso, sigo colocando os pontos infinitos de um ser que pensa uma sociedade menos morta e retrógada em que a poesia antes de ser letra, possa ser a paz, a alegria, o estado do ser, amor acontecendo ou pretendido e preterido, a natureza sem atos fúnebres. É assim que eu penso.
Este é mais um texto de que não aconselho aos cuja pretensão não lhes deixa refletirem. Por isso não recomendo como fonte para ser seguida ou aproveitada, pois apenas frutos de impressões minhas. 
Não me coloco no rol dos que já sabem, portanto, prontos, assim nada que me chegasse de súbito teria graça e a minha vida não teria vida e muito menos o meu aprendizado seria uma alfabetização constante.  

PARA REFLEXÃO SE COUBER: Por vezes a nossa rotina acaba por não percebermos e às vezes não valorizamos quem nos considera, nos ama e está sempre ao nosso lado incondicionalmente. (Nilson Ericeira)

PENSAMENTO DO DIA: O conformismo com o que é apenas trivial acaba nos levando a condição de alienados. (Nilson Ericeira)

Eu poético I



O meu silêncio não é só sinal de omissão.
É reflexão...
A minha inação não é sinal de aceite.
É estratégia, calculismos, abismos.
A minha explicação não é sinal de apelação.
É persuasão, portanto matéria incompleta.
O meu ruído, resquício de Comunicação.
É craqueamento da matéria prima primeira.
A minha nostalgia não é só de saudade.
É angústia, ansiedade, reflexões...
Meu apego não é só de amor por ela.
Mas de humanização.
Minha solidão não é só dessa minha demência.
Mas de umas incompletudes...
Minha água não só é de composição.
Mas do beijo da revelação do amor.
Dos abraços condizentes e 'diz-entes'.
Das decifrações...

Compadre Robrielle

Despedida



Chorosa e dolorida, mas marcante.
Esperada e inesperada, não desejada.
Antecipada ante a minha dor.
A dor de negar o coração ‘ficante’, suplicante, sangrando.
Desfiz-me de mim, para abraçar o meu povo.
De quem me nega, mas que sou das entranhas da mesma terra.
De quem tenho o cheiro, a cor, o odor.
Despeço-me de mim mesmo.
Meus braços já não me cruzam.
Mas serei caminhos de volta!
Olho para o céu e vejo que sempre pedi a Deus: Arari!
Mas despeço-me de minhas rabugices e besteiras.
De falas eletrizantes e um amor constante, rasgado, dilacerante.
De quem mesmo na dor se apaixona, revitaliza-se e cresce.
Até o nosso vai e volta de nós outros não é igual aos outros.
Aqui vou partindo antes da partida, partindo meu coração.
Já que a minha alma não vaga muito.
Ela também é de Arari.
Mas quando eu te der o meu último beijo.
Certamente de levarás aos primeiros.
Assim numa música que não passa.
De um amor que não cessa.
Mas tenho que ir!
Ainda não sei se conseguirei me encontrar.
Ou por quanto tempo terei que juntar meus pedacinhos.
E num deles em rebuliços te direi que nunca deixarei de te amar.


Compadre Robrielle

30/03/2017

PENSAMENTO DO DIA: Podemos e devemos ser melhores, mas não teremos os nossos valores depurados e nem nos transformaremos em seres humanos melhores, se nossas atitudes forem apenas e unicamente estéticas. Enganar-se enganando os outros: eis o legado de um hipócrita. (Nilson Ericeira)

PARA REFLEXÃO SE COUBER: O texto constitucional é muito claro em relação à nossa liberdade de expressão, desde que não usemos para difamar, caluniar ou injuriar alguém. E, ainda, veda o anonimato. Mesmo sentido em que assegura proteção à imagem e à vida privada das pessoas. Portanto, não devemos nos preocupar com a individualidade da escrita, pois também é livre o acesso ao que se escreve. (Nilson Ericeira)

Arari tão bonita vestida de chita



Vejo que aos poucos despertas pra um novo dia.
E meio esnobe colores com teu céu 'extaseante'.
Num fantástico e único espetáculo.
Parece nem ter pressa quando te vestes de chita.
E o silêncio se quebra aos poucos em meios aos pingos que sufocam o sereno dela.
Vaidosa e fogosa aceita o amor de todos nós.
Até escuta e a facilita a poesia de filhos teus.
E do teu seio o cio de nos animamos.
E da terra o aceite das estações.
Mesmo assim quem te sangre impiedosamente,
mas sei que não te levarão à morte.
Pois és forte!
E quanto te afrontam, renasces no íntimo de cada um de nós.
Agora já te vejo cintilante: é a unção do meu coração!
Mas te vejo tão bonita vestida de chita.
Acho que mais tarde vou abrir minha janela só pra eu veja como é que estás.


Compadre Robrielle