18/02/2017

O homem íntegro, a dignidade, os tribunais de exceção



Parece paradoxal, mas os homens íntegros sofrem mais. É que a sociedade impõe que os valores da família, da escola e da sociedade de maneira bem abrangente, deveriam se decompor para dá vazão a destituição da dignidade. Ainda assim, contamos com o que não é a regra.
Nesse sentido, entendo que é muito confortável chegar a um estágio da vida social sem arranhões, sem lesões e podendo andar firme sem que se tenha medo, ou usando de subterfúgios, na forma de capa, para cada conveniência. E, ainda, chegar ao final de um ciclo com a extrema certeza que nossos atos são dignos e corroboraram para o bem. Pessoas assim devem se orgulhar e se manter, mesmo que submersos a uma aparente exclusão.
É que nós, mas isso não é normal, temos a infeliz ideia de admirarmos pessoas que não dignificam a nossa sociedade. Os exemplos estão em nós e nem precisam escapulir para outrem. As cifras do capital não definem o nosso grau de integridade e muito menos podem ser usados como parâmetros para aferir moral, vida ética e ilibada e constituição de amizades.
Nossos cuidados – temos que ser atentos, pois num universo de valores tão inesgotáveis, por vezes, nomeamos por conta própria o que não nos dignifica. A sociedade tão midiática e ao mesmo tempo alienante não nos permite amar o próximo que está bem próximo de nós, mas nos apegamos a falsos ídolos, por vezes ignorantes e que nem menção fazem para a conquista da paz, que tenha uma contribuição em vida para melhorar a vida dos outros, ou mesmo nutra algum sentimento que possa nos fazer admirá-los. Por vezes nos redimimos e damos uma pequena olhada entre as pessoas que nos amam e nos dedicam amor. Isto vale e lubrifica nossa esperança num mundo bem mais humano, fraterno e solidário.
Longe de mim pretender estabelecer um receituário de aplicabilidade de relações humanos ou, mesmo me entende como um a ser seguido. Mas penso que, antes de nos declaramos ou declinarmos nossas ‘paixões’, não nos custa nos escutar, nos ouvir, nos relacionar e enxergar no outro o que assimilamos e convencionamos como valores do bem. Assim, quem sabe, não deturparemos a estética que na maioria das vezes dá lugar ao que é real.


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