30/10/2013

Eu vejo que não te vejo

Eu falo que não te falo.
Eu calo e não te calo.
Eu vejo que preciso ir, antes que a madrugada chegue.
Eu vejo que preciso chegar, por isso essa procura.
Eu vejo que não te vejo, então esse desejo.
Eu vejo que te preciso, para poder me encontrar.
Eu acho que te procuro, a todo instante desta vida.
Então, pra que chorar, se lamentar, se a vida vale à pena.
Mas faz tempo que não te vejo, vem saciar os meus desejos.
Então, eu te procuro nas madrugadas, dias e noites afora.
Por isso essa procura, esse desejo pra te encontrar.  
Nilson Ericeira
Robrielle

A proporção de amar



Assim como as aves no céu.
Vou besliscando um pouco de ti.
E quando desejar me aproximar o máximo.
Me distanciar até o infinito, na medidas das minhas asas.
Impulso.
Assim como ás águas, vou para lado de ti, pra te ver espelho.
Ser indiferente e até molhar teu corpo.
Assim como o céu, sede imensidão e coloridos.
Escurecer em desamor...
Ser igual a chuva sem hora pra chegar, regar, plantar e colher.
Assim como a natureza, mãe protetora, te vigiarei dia e noite.
Contarei em segundos o tempo só pra te ver, viver em ti.
Assim como o riso da criança te alcançarei em qualquer tempo.
Assim como a paz interior, estarei em ti, dentro de ti, só pra te escutar.
E te amar.
Assim como a folha que vaga, pousarei em teu lugar.
Bem pertinho de ti.
Assim com num poema, sentarei palavras de amor.
Assim como a mensagem, eu te direi.
Amor!
Assim como a nuvem, não passarei sem chuva, pra te encontrar.
Assim como as plantações, nuvens de sementes.
Pra germinar no teu coração vozes que acalmam.
Pra te falar de amor.
Nilson Ericeira
Robrielle

29/10/2013

Poço desnudado de palavras

Às vezes precisamos de um tempo.
Permitir reflexões.
Analisar comportamentos, amadurecer convicções.
Hoje quase não encontrei água para beber.
Quase!
Pus-me a me perguntar da utilidade de minhas palavras.
Se essa lavra vale à pena.
Mesmo que a dor não seja pequena.
Por que me visto de palavras.
E os porquês de me desnudar delas.
E se estou escrevendo algo, mas pra quem?
O que interessa?
Sabe, perguntas que me inquietam.
E minha fonte sem água e quase sem ar.
A razão da minha poesia se já não é minha.
E que estranho mundo é este?
Vivemos e não compreendemos.
E com a dificuldade de cantar palavras.
Tendei enxugar uma lágrima de uma saudade presente.
Esqueci que amo e enalteço o amor.
Estava seco em inquietudes e interrogações.
Exclamações, vida, exclamações!
Ah meu mundo introspectivo de tantos devaneios.
Não me deixe nu de palavras.
E nem me abasteça de palavras mortas.
Sem vida e sem atitudes...
Sem o beijo cálido da mulher amada.
E nem sem o peito dela para escutar o coração.
E muito menos sem a junção dessas letras que me cercam.
Quero continuar sendo ilha de mim mesmo.
Quero o néctar das flores.
O doce do beijo sentido no desejo de quem ama.
Quero o passo, o próximo passo da minha sintaxe.
Aliás, eu acho que minha vida é uma sintaxe.
De palavras e sentimentos.
De gramática, de letras, de textos, lexemas...
Mas se esta fonte secar, vou morrer.
Morrer é última cena que não quero ver.
E se água vier vou transformar em palavras.
Vou contar o mundo.
Vou me vesti de amor.
Me encher de léxico.
Transbordar poemas...
E um dia quando eu não mais existir.
Palavras, as palavras consolam.
Mas quem?
Como você viu: estou vazio.
Pudera, não vi teu riso e não bebi de teu encanto.

Nilson Ericeira
Robrielle

27/10/2013

O sentimento do bem é a semente de quem ama



Os seres humanos são dotados de capacidades diferenciadas e especiais, por isso não devemos nos permitir semelhança a outros animais, por mais admiração que tenhamos a seus condicionamentos. Embora, nestes tempos, atitudes de “humanos” têm superado a de outros animais. Não podemos e nem devemos nos permitir atitudes que não sejam de agregação e amor ao próximo.
Todos temos sementinhas do bem que podem germinar, para que isso aconteça é preciso regar no coração algumas atitudes: de solidariedade, compartilhamento, sensibilidade, acolhimento, resignação e irresignação, disposição pra servir, entre muitas outras. Tão especiais que se parecem sinônimas em que uma não anula a outra, pois todas nascem no coração.
Com uma vontade de escrever irresistível, coisa de que não tenho conseguido autocontrole. Entendo que nem preciso, resolvi compartilhar um pouco desta visão, aliás, visões que brotam de observações, aprendizagens e principalmente de um viés de solidariedade que carrego.  Uma de minhas conclusões: nunca devemos fazer papel de Estado. Acho que ninguém precisava exercer este papel. Isto cabe um estudo.
Disse que o sentimento do bem é a semente de quem ama, pois pode germinar em nossos corações com as atitudes de ajudar os nossos semelhantes no dia a dia. Todos podemos servir uns aos outros em determinadas situações. Às vezes pequenas atitudes têm um valor muito grande para quem precisa. Quantas vezes não nos deparamos com situações em que achamos tão ínfimas para nós,  mas que são muito significativas para quem precisa? Pois é, nas nossas relações, a valoração de determinadas atitudes não está na publicidade, no garbo de quem faz, na amostragem gratuita ou coisa similar, mas no quanto ajuda o outro, no que muda no direcionamento. Esse é o sentido da semente do bem.
Deixemos, então, nossas sementes de amor germinarem, criarem folhas, ramos e florirem com nossas ajudas aos que precisam. Amar é um sentimento único do homem, devemos, pois, a cada dia, nos postarmos não como passageiros desta vida, mas devemos e podemos nos permitindo regar os canteiros da amizade plantando e colhendo o bem.
Há pessoas que ajudam tanto sem que tenham bens materiais para oferecer. Uma palavra, uma ajuda, a atenção, o acolhimento, o escutar, o amar, o sentir, o resignar... Isto é plantar a sementinha do bem. Ela está em nós. Primeiro precisamos reconhecê-las em nós, depois semear.
Hoje não me contive. Muito motivado pela minha exaustão pela escrita que ainda não conseguir me dominar. Então escrevo para os que ainda não sabem e que podem, de alguma forma, absorver o melhor deste texto, caso haja alguma fagulha de contribuição. De qualquer forma acredito que hoje mais uma vez reguei a minha semente. Aceitem o meu abraço.

25/10/2013

Amor de corpo e alma

Faz tempo que não sei da tua vida.
Guardo no peito uma lágrima escondida.
Como que um sinal de despedida.
De uma dor que tua ausência me faz.
Mas se te machuquei foi sem querer.
Se te fiz chorar não sei por quê.
E se te amei, te amarei eternamente.  
Perdoe-me por favor,
pois preferia ser amigo e ter você.
A vagar assim a procura de ti em outros olhares.
E ter que morrer um pouquinho a cada instante.
Não saciar essa busca tão constante.
Já te tirei de mim.
Sei dissimular essa saudade de sentir.
Guardo no peito uma lágrima escondida.
Mas não consigo te tirar da minha vida.
Acho que nem o tempo e nem ausência tua.
Fez-me deixar de te amar intensamente.
Ainda assim tento dissimular amor ausente.
Mas sempre busco a tua presença.
Eu juro vou te tirar da minha mente.
E faz tempo que não sei de ti.
Ainda assim acredito nessa chama.
E ando por caminhos tão distantes.
Porém, tenho medo de te encontrar.
E esse amor ignorar.
Confesso ainda vou te tirar da minha vida.
E sei: desfaçatez, pois é amor de corpo e alma.

Nilson Ericeira
Robrielle